Fundadores

Alberto Passos Guimarães Filho

Nascido em 1939, Alberto graduou-se em física pela UFRJ em 1962, fez doutorado na Universidade de Manchester, na Inglaterra, em 1971, e formou-se pós-doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, em 1994. Foi pesquisador visitante no próprio MIT e no Instituto de Física de Uppsala, Suécia.

Pioneiro no Brasil no estudo do magnetismo de metais, ligas e compostos intermetálicos, Passos também dedicou boa parte de sua carreira à divulgação da ciência.

Em 1982, foi um dos co-fundadores da revista Ciência Hoje, ocupando desde então o cargo de membro do Conselho Diretor da publicação. Também foi importante na criação do Informe, atual Jornal da Ciência, do qual também é membro do Conselho Editorial.

Passos é autor de uma centena de artigos científicos e de diversos livros, como Magnetismo e Ressonância Magnética em Sólidos e A pedra com alma. Em 1996, foi agraciado pela Ordem Nacional do Mérito Científico com o grau de comendador, por suas contribuições para o desenvolvimento da ciência no Brasil e, em 2004, foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Atualmente, é pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).


Darcy Fontoura de Almeida (1930-2014)

Darcy Fontoura de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 1930, e graduou-se pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1954. Um dos precursores da genética de microrganismos no país, sua trajetória acadêmica confunde-se com a do Instituto de Biofísica da UFRJ, onde iniciou sua carreira ainda em 1950, com um estágio de iniciação científica.

Em sua trajetória, pesquisa científica e divulgação da ciência sempre correram paralelamente. Aproximou-se da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) justamente pela vocação de tornar seu trabalho acessível ao grande público.

Tornou-se amigo de Roberto Lent, também membro da SBPC e seu colega de trabalho no Instituto de Biofísica. Por volta de 1980,  justamente em reuniões da secretaria regional da SBPC no Rio de Janeiro, os dois aproximaram-se de Ennio Candotti e Alberto Passos na elaboração do projeto de uma nova revista de divulgação científica. 

A Ciência Hoje só sairia do papel dois anos mais tarde, quando Darcy era representante da secretaria regional do Rio na SBPC nacional e Ennio Candotti diretor da secretaria regional fluminense. Darcy atuou como editor da revista em seus primeiros tempos, ao lado de Candotti e teve papel importante na criação da Ciência Hoje das Crianças. Também ajudou a criar e foi editor por cerca de dois anos do Informe (atual Jornal da Ciência).

Homenageado com o título de professor emérito da UFRJ em 2001, continuou ligado à universidade, dedicando-se a pesquisas históricas sobre a criação do Instituto de Biofísica da universidade e sobre a biografia de Carlos Chagas Filho (1910-2000), seu mentor e amigo na instituição. O geneticista foi ainda membro titular da Academia Brasileira de Ciências, presidente de honra da SBPC, além de agraciado com o grau de comendador pela Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2000. Faleceu em março de 2014.


Ennio Candotti

Nascido em Roma, em 1942, Ennio veio para o Brasil com os pais em 1952. Formou-se em física pela Universidade de São Paulo em 1964, onde também estudou, durante três anos, filosofia. Em 1965, foi para a Europa; ali passou nove anos trabalhando e fazendo especialização em física e matemática; participou de atividades e estudos de história da ciência, de política científica e de revista de divulgação científica.

Em 1974, a convite da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), voltou ao Brasil. Na universidade, coordenou por muitos anos o ciclo básico do curso de graduação e atuou principalmente nas áreas das simetrias e leis de conservação em física teórica.

O período no continente europeu estimulou o interesse do físico em divulgação científica, história e políticas de ciência e tecnologia, educação e meio ambiente. Em especial, voltou sua atenção para a situação da divulgação no Brasil, que considerava particularmente preocupante pela fragilidade do sistema educacional do país.

Foi Secretário Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Rio de Janeiro, em 1977, e conselheiro a partir de 1981. Ocupou, ainda, o cargo de vice-presidente da entidade de 1985 a 1989 e sua presidência nos períodos de 1989 a 1993 e de 2003 a 2007.
Quando secretário regional, foi fundamental para a implementação de iniciativas como o projeto Ciência às Seis e Meia, que expandiu para outras regiões do Brasil em sua presidência. Foi também um dos fundadores da revista Ciência Hoje – da qual foi editor em seus primeiros tempos, ao lado de Darcy Fontoura (1930-2014), e membro do Conselho de Editores de 1982 a 1996.

Teve papel fundamental na criação da Ciência Hoje das Crianças, em 1986, e foi um dos maiores incentivadores da criação da revista Ciencia Hoy, na Argentina. Teve, ainda, papel ativo na criação do Informe, atual Jornal da Ciência, informativo sobre política científica que nasceu ligado à Ciência Hoje.

Em suas gestões na SBPC, participou das mobilizações que levaram à criação das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) em diversos estados brasileiros, hoje responsáveis pelo financiamento de boa parte dos estudos realizados no país. Também foi importante na realização da 1ª SBPC Jovem,  durante a 45ª reunião anual da entidade, no Recife, e promoveu reuniões regionais dedicadas à educação, à implantação da pesquisa e à consolidação das FAPs em diferentes estados, além de encontros de cooperação científica no Mercosul.

Por sua atuação destacada como idealizador e incentivador de iniciativas de divulgação e popularização da ciência, tornou-se, em 1999, o terceiro brasileiro a receber o prêmio Kalinga de popularização da ciência, concedido pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) desde 1952.  Atualmente é professor da Universidade do Estado do Amazonas e diretor do Museu da Amazônia (Musa), em Manaus.


Roberto Lent

Nascido em 1948, Roberto Lent formou-se médico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1972 e tornou-se mestre e doutor em ciências biológicas pela mesma universidade em 1973 e 1978, respectivamente, e realizou seu pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em 1982.

Toda sua carreira tem sido dedicada ao estudo do cérebro e do sistema nervoso – tornando-se uma das referências na área no país – e, paralelamente, ao fortalecimento da divulgação científica nacional. 
Seu envolvimento com a divulgação científica começou quando assumiu a Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Rio de Janeiro, no final da década de 1970. Em uma época em que as secretarias regionais da entidade começavam a se tornar mais atuantes, Lent criou uma nova estrutura – uma pequena diretoria e um conselho com cerca de oito membros, aberto a qualquer especialidade e a interesses científicos variados.

O passo foi fundamental para estimular novas iniciativas de divulgação da ciência e para abrir caminho para a criação da revista Ciência Hoje na gestão de seu sucessor na secretaria, Ennio Candotti.

A primeira edição da CH traz um artigo do neurocientista intitulado 'Cem bilhões de neurônios',  título retomado no livro de referência sobre neurociência que Lent lançou em 2002. Ele inspirou também a coluna ‘Bilhões de neurônios’, que o pesquisador manteve na CH Online de 2006 a 2010 e cujos textos foram reunidos no livro Sobre neurônios, cérebros e pessoas.

Lent também se dedica à divulgação científica para crianças, tendo lançado a série de tirinhas 'A turma do Zé Neurim' e a coleção de livros 'Aventuras de um neurônio lembrador'. O neurocientista é também sócio da editora Vieira&Lent, que tem na divulgação científica uma de suas principais áreas de atuação.

Por sua atuação com divulgação científica, recebeu o Prêmio Regionais de Compreensão Pública da Ciência, concedido pela Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (Twas, na sigla em inglês), e também o prêmio José Reis de Divulgação Científica, em 2010. Lent é, ainda, membro da Academia Brasileira de Ciências e, em 2000, foi agraciado com o grau de comendador pela Ordem Nacional do Mérito Científico.

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