Toxinas que curam

Toxinas que curam

Instituto de Química/UFRJ

Quem diria que as terríveis formigas lava-pés podem salvar muita gente de doenças infecciosas? Naquela picada dolorosa há um tesouro para novos fármacos – os alcaloides piperidínicos e piperínicos. Consideradas toxinas, as aminas cíclicas presentes na ferroada das formiguinhas podem ter atividade antibiótica e antifúngica. 

O texto “Toxinas que curam”, publicado em CH 420, descreve as características estruturais das solenopsinas, uma classe de alcaloides bioativos das formigas lava-pés, que podem ser discutidas nas aulas de química. O artigo mostra a importância destas substâncias para a manutenção da vida das formigas e suas propriedades farmacológicas e outros usos.

Possibilidades de abordagem:

  • Entender a função das solenopsinas para a vida das formigas lava-pés e suas atividades farmacológicas;
  • Relacionar as características estruturais das moléculas de solenopsinas citadas no texto com as estruturas apresentadas em aula.

Proposta de atividade:

A dica de química a partir do artigo “Toxinas que curam”, publicado em CH 420, destaca dois aspectos: função biológica e atividade farmacológica/usos. Primeiramente, o professor deve fornecer o texto para a leitura e interpretação dos alunos que deverão responder às questões relacionadas à atividade biológica das solenopsinas e, posteriormente, às características estruturais destas moléculas.

Sobre a atividade biológica das solenopsinas, pode ser perguntado: qual a função do veneno das formigas lava-pés para a manutenção de suas vidas? ; quais as atividades farmacológicas e possíveis usos das solenopsinas? 

No trabalho de Silva e col. (2020), diversas estruturas de solenopsinas são apresentadas e podem ser utilizadas como exercício para que os alunos possam correlacionar as descrições acerca das moléculas no texto com as fórmulas estruturais destes alcaloides. No exemplo da figura 1 tem-se as solenopsinas 1 ((Isosolenopsina A), 2 (Solenopsina A) e 3 (Deidrosolenopsina B). O professor pode pedir aos alunos que identifiquem nas três moléculas: o grupo amino, o anel piperidina, o grupo metila, a cauda hidrofóbica lateral, a ligação insaturada, a presença de carbono assimétrico e se há isômeros estruturais. 

Outro aspecto interessante é a geometria cis e trans, nesse caso, relacionada às posições 2 (metila) e 6 (cadeia lateral) das moléculas exemplificadas. Este aspecto pode ser mais bem explicado com o uso de um modelo molecular físico tridimensional.

Figura 1. Exemplos de moléculas de solenopsinas

Recursos utilizados:

  • Quadro branco ou slides e projetor; 
  • Texto “Toxinas que curam”, publicado em CH 420; 
  • Modelos moleculares de plástico; 
  • Folha de atividades.

Explore +

Silva, R.C.M.C., Fox, E.G.P., Gomes, F.M. et al. Venom alkaloids against Chagas disease parasite: search for effective therapies. Sci Rep 10, 10642 (2020). Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-020-67324-8 . Acesso em maio de 2025.