A arqueologia permite a compreensão de processos de longa duração na história a partir da investigação de vestígios da cultura material. O artigo Tradição e persistência nas mulheres ceramistas, de Thiago Altafini e Marianne Sallum, apresenta uma dessas pesquisas, que investiga a permanência de tradições ceramistas Tupiniquim na cerâmica paulista contemporânea.
O texto publicado em CH 433 destaca os processos de continuidade com as práticas indígenas e as incorporações de técnicas europeias e africanas, ressaltando o protagonismo feminino na reprodução dessas práticas. A proposta de atividade aqui desenvolvida pretende justamente enfatizar essa dimensão de troca cultural e protagonismo feminino no estudo da História indígena no Brasil.
A atividade aqui presente é sugerida para um módulo de discussões sobre História indígena, em qualquer período da História do território que se convencionou chamar de Brasil. Isso porque a ideia é justamente valorizar os aspectos de longa duração da presença indígena nesse território, mapeáveis a partir do estudo da cultura material.
Recomenda-se que o início da atividade ocorra com a leitura coletiva do artigo Tradição e persistência nas mulheres ceramistas, publicado em CH 433. A partir daí, alguns conceitos devem ser discutidos junto à turma, como “cultura material”, “tradução cultural” e “arqueologia da persistência”. Essa discussão deve ajudar a responder algumas questões:
1) Qual o problema da divisão entre “História” e “pré-história” e de que maneira a arqueologia pode contribuir para questionar essa divisão?
2) O que o protagonismo de mulheres na produção da cerâmica paulista nos revela sobre a permanência de práticas indígenas do período pré-colonial até os dias de hoje?
3) Por que não podemos dizer que as modificações verificadas nas cerâmicas ao longo das gerações representam imitações de práticas europeias, ou “perdas culturais”?
Após essa discussão, trechos selecionados do documentário Alto Vale do Ribeira (ver em Explore +) podem ser exibidos, em especial as cenas que descrevem as técnicas de modelagem e queima da argila. O docente pode propor aos estudantes uma oficina prática para testar a técnica do acordelado, por exemplo, que aparece no documentário (a técnica dos “roletes”).
Como culminância, sugere-se que os estudantes reflitam e pesquisem sobre outros conhecimentos tradicionais passados de geração em geração, sobretudo através das mulheres – nas suas famílias, na região onde moram, a partir de relatos familiares etc. As pesquisas podem ser socializadas em seminários, rodas de conversa ou exposições visuais.
SALLUM, Marianne; NOELLI, Francisco Silva. Comunidades de mulheres ceramistas e a longa trajetória de itinerância da cerâmica paulista. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, n. 34, 2020. Disponível em https://repositorio.usp.br/directbitstream/025c6e07-d70b-4f50-a51e-9a4acd782fdb/PMS.04.pdf. Acesso em julho de 2026.
STUDEBAKER, Alexandra. Alto Vale do Ribeira (documentário), 2026. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=7xz6DYqS4ZQ. Acesso em julho de 2026.