Para os macacos-aranhas (Ateles sp.), espécies ameaçadas de extinção, o topo das árvores é o seu mundo. É ali, no alto das árvores, que eles se alimentam, se deslocam e criam seus filhotes. Embora, eventualmente, desçam ao chão da floresta, fazê-lo representa um risco: fora da copa, o primata fica mais exposto à predação e a outros perigos eminentes.
Além dos desafios naturais da vida na floresta, as ações humanas têm tornado esse cenário ainda mais desafiador. A fragmentação dos hábitats avança, acompanhada pela expansão das rodovias que cortam áreas naturais.
Para atravessar essas rodovias, o macaco-aranha se vê diante de um dilema: descer ao solo e correr o risco de atropelamento ou predação, ou permanecer em um fragmento isolado, com recursos limitados e maior probabilidade de endogamia, um risco genético para a população. Em alguns casos, os fios de eletricidade parecem uma alternativa de travessia, mas acabam resultando em acidentes fatais por eletrocussão.