Descoberta por povos originários da América Central, a planta, popular na gastronomia e na perfumaria, é estudada atualmente por seu potencial no controle da proliferação de células cancerígenas
Descoberta por povos originários da América Central, a planta, popular na gastronomia e na perfumaria, é estudada atualmente por seu potencial no controle da proliferação de células cancerígenas
CRÉDITO: IMAGE ADOBE STOCK

“Grenouille efetuara uma vez esse malabarismo de modo perfeito, no caso do óleo de angélica, cuja efêmera fragrância prendera com diminutas quantidades de almíscar, baunilha, láudano e cipreste, conseguindo com isso que ele chegasse a se manifestar. Por que algo semelhante não seria possível com a fragrância da jovem?”
O trecho é do romance O Perfume, de Patrick Süskind, que conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, assassino em série que extrai odores das vítimas na busca pelo perfume perfeito. Apesar de os fatos se passarem na fétida Paris do século 18, o uso da baunilha remete aos povos originários da América Central, num ambiente repleto de conhecimentos tradicionais, lendas e cultura. Responsável por um dos aromas mais populares do mundo, a planta dá origem a um dos temperos mais caros da culinária e, sem dúvida, um dos ícones da etnobotânica.
A baunilha tem sido usada como aromatizante e na formulação de bebidas medicinais desde o período pré-clássico da história mesoamericana, por maias, olmecas, astecas, totonacas etc. Considerada sagrada, perfumava templos e era usada no atole, bebida à base de milho.
Provavelmente, os totonacas foram os primeiros a cultivar a planta, que, para eles, era repleta de simbolismo e inserida em sua mitologia. Uma das lendas envolvendo a origem é sobre a princesa, Tzacopontziza (estrela da manhã), que foi oferecida por seu pai, Teniztli, à deusa Tonacayohua para que nenhum homem mortal pudesse possuí-la. Mas o príncipe Xcatan-Oxga apaixonou-se pela beleza dela, e o casal fugiu para as montanhas. Sacerdotes foram procurar os dois jovens e os decapitaram. Na terra onde foi derramado seu sangue, cresceu uma planta de baunilha, com sua delicada flor.
No século 15, o povo totonaca foi conquistado pelos astecas, e a baunilha passou a ser recebida como tributo pelo imperador Montezuma II (1466–1520). As vagens moídas, chamadas tlil-xochitl (derivado de tlilli, que significa “preto”, e xochitl, interpretado como “flor”), serviam como aromatizantes para a bebida consumida pela nobreza asteca, o chocolatl, feita com cacau.
A baunilha chegou à Europa no século 16, após o violento processo de colonização espanhola na América. Embora considerada um aromatizante valioso, a baunilha passou a ter valor comercial significativo apenas no século 17, como componente do chocolate, que se tornou popular nas capitais europeias.
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