Universidade do Texas em El Paso (Estados Unidos)
Universidade do Texas em El Paso (Estados Unidos)
Novos testes mais sensíveis e específicos para detectar a presença do parasita causador da doença nos pacientes permitem acompanhar a eficácia do tratamento e auxiliam no desenvolvimento de terapias mais curtas e seguras
CRÉDITO: IMAGEM ADOBESTOCK

A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, continua sendo um grande desafio para a saúde pública. Apesar de afetar cerca de 6 milhões de pessoas na América Latina, essa doença ainda recebe pouca atenção e investimento em ações de prevenção, diagnóstico e tratamento. Com a migração de pessoas oriundas de áreas endêmicas, países da América do Norte e da Europa também passaram a registrar centenas de casos, transformando a doença de Chagas em uma preocupação de alcance global.
Na fase inicial, a infecção pelo T. cruzi geralmente não causa sintomas ou se parece com outras doenças comuns. Mais tarde, entre 20% e 30% das pessoas podem desenvolver problemas sérios no coração ou no sistema digestivo, levando à incapacitação permanente ou até à morte. Mulheres grávidas infectadas ainda podem passar o parasita para o bebê.
Atualmente, o único tratamento disponível são os remédios benzonidazol e nifurtimox, desenvolvidos nos anos 1970. Embora sejam eficazes na fase aguda da doença, sua ação na fase crônica ainda é vista com cautela por muitos profissionais de saúde – principalmente porque ainda faltam exames confiáveis que mostrem com clareza se o tratamento realmente funcionou. Além disso, esses medicamentos provocam reações adversas frequentes, como náuseas, dores de cabeça e alergias, levando ao abandono do tratamento por muitos pacientes. Assim, menos de 1% das pessoas com doença de Chagas são tratadas a cada ano.
Confirmar a cura após o tratamento também é um grande desafio. Os exames de sangue tradicionais, que detectam anticorpos contra o parasita, podem continuar positivos por décadas, mesmo depois que o parasita já foi eliminado. Já o teste de PCR, que busca o material genético do T. cruzi no sangue, falha em metade dos casos na fase crônica, porque o parasita se encontra em quantidade muito baixa. Isso dificulta tanto o acompanhamento dos pacientes quanto o desenvolvimento de novos medicamentos.
Uma solução promissora está nos biomarcadores, sinais biológicos que ajudam a detectar se o tratamento está funcionando. O T. cruzi possui, em sua superfície, açúcares como a alfa-galactose (α-Gal), ausentes no corpo humano. Pessoas infectadas desenvolvem anticorpos contra essa molécula.
Nosso grupo de pesquisa tem desenvolvido versões sintéticas desses açúcares para testes avançados, mais sensíveis e específicos. Esses testes conseguem diferenciar os anticorpos produzidos em pessoas com doença de Chagas (anti-α-Gal-Chagas) daqueles encontrados em todos os indivíduos saudáveis (anti-α-Gal-Normal), que são normalmente produzidos contra bactérias intestinais.
Ensaios laboratoriais e estudos com parceiros no Brasil, na Bolívia e na Espanha mostraram que os níveis de anti-α-Gal-Chagas caem rapidamente após o tratamento bem-sucedido da doença, o que reforça o potencial desses biomarcadores no acompanhamento terapêutico. Os anticorpos detectados nos testes sorológicos convencionais podem levar de 10 a 20 anos para desaparecer completamente.
Um marco importante nesse campo foi o estudo clínico BENDITA (2016-2018), liderado por DNDi (Suíça), ISGlobal (Espanha) e CEADES (Bolívia). Esse estudo mostrou que tratar a doença de Chagas com benzonidazol por apenas quatro semanas pode ser tão eficaz quanto o tratamento tradicional de oito semanas – e com menos efeitos colaterais. Os níveis de anticorpos anti-α-Gal-Chagas caíram significativamente nos pacientes curados, mas não nos que o tratamento falhou ou que receberam o placebo (comprimido inerte, sem o medicamento).
Recentemente, foi realizado o estudo clínico TESEO, financiado pelo NIH (Estados Unidos) e liderado por nossa equipe da Universidade do Texas em El Paso, com a participação de ISGlobal e IPBLN (ambos da Espanha) e CEADES. O estudo, que acompanhou 450 pessoas com doença de Chagas crônica na Bolívia, comparou diferentes doses e durações de benzonidazol e nifurtimox, buscando alternativas mais seguras e eficazes. Os participantes foram monitorados por três anos com exames de PCR e clínicos. Atualmente, estão sendo feitos testes sorológicos usando biomarcadores como as neoglicoproteínas contendo α-Gal e outros açúcares, proteínas recombinantes e um peptídeo sintético, todos derivados do parasita e reconhecidos pelo sistema de defesa dos pacientes.
Graças à colaboração entre cientistas de vários países, estão sendo desenvolvidos novos testes e tratamentos mais avançados para a doença de Chagas. A meta é ter terapias mais curtas, seguras e fáceis de acompanhar. No futuro, as pessoas poderão saber em poucos meses se estão curadas, sem viver anos na dúvida. É a ciência trazendo esperança e mais qualidade de vida para milhões.
Ensaios laboratoriais e estudos com parceiros no Brasil, na Bolívia e na Espanha mostraram que os níveis de anti-α-Gal-Chagas caem rapidamente após o tratamento bem-sucedido da doença, o que reforça o potencial desses biomarcadores no acompanhamento terapêutico
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