Departamento de Medicina Veterinária
Universidade Federal do Paraná

CRÉDITO: ADOBE STOCK

Animais têm, sim, muitos problemas de visão, e isso é mais comum do que se imaginava até algumas décadas atrás. Hoje, a medicina veterinária conta com especialistas nas mais diversas áreas, inclusive na oftalmologia. Com o avanço dessa especialidade e maior atenção dos tutores ao bem-estar dos animais domésticos,  doenças oculares vêm sendo cada vez mais diagnosticadas e tratadas.

Entre os problemas mais comuns em pequenos animais estão catarata, olho seco (ceratoconjuntivite seca), úlceras de córnea, alterações palpebrais e dos cílios, inflamação da úvea (íris, corpo ciliar e coroide), glaucoma (uma retinopatia óptica progressiva, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular) e atrofia progressiva da retina (cegueira progressiva).

Além disso, os animais também podem apresentar as chamadas ametropias, erros de refração ocular, como miopia (dificuldade para ver de longe) e hipermetropia (dificuldade para ver de perto). Esses problemas ocorrem porque o foco da imagem está fora da retina, assim como acontece em nós, humanos. As ametropias em animais domésticos são cada vez mais reconhecidas como relevantes na prática veterinária, especialmente em espécies como cães, gatos e cavalos.

Em cães, a refratividade varia conforme a raça e a idade, mostram estudos. Por exemplo, raças como Collie, Rottweiler e Schnauzer apresentam tendência à miopia, enquanto em Australian Shepherd a hipermetropia se mostra mais comum. Já a anisometropia (graus diferentes em cada um dos olhos) foi observada em cerca de 6% dos indivíduos. No entanto, pesquisas apontam que a maioria dos cães apresenta emetropia (a ausência de erros refrativos) ou ametropias leves, embora a idade e a morfologia craniana possam influenciar. Ou seja, se não houver outros problemas oculares, costumam ter boa visão.

Em gatos, há maior prevalência de miopia em filhotes, com tendência à correção na fase adulta. Outra pesquisa mostrou que o ambiente influencia o desenvolvimento refrativo: gatos de rua tendem à hipermetropia, enquanto gatos de ambientes fechados apresentam miopia.

Nos equinos, a maioria dos estudos também aponta para uma refratividade próxima à emetropia. Outros trabalhos evidenciam a influência de fatores como sexo, cor da íris e localização geográfica na refratividade dos cavalos. Um exemplo: cavalos islandeses idosos, com uma mutação genética chamada “silver”, parecem apresentar maior tendência à miopia.

Apesar de as pesquisas indicarem baixos graus de ametropia, há interesse crescente na aplicação de tecnologias avançadas para avaliar e corrigir esses problemas de visão. O uso experimental de lentes de contato corretivas em cães de serviço representa um campo promissor. À medida que a oftalmologia veterinária avança, a identificação e o manejo das ametropias tende a ganhar maior relevância clínica, principalmente em relação a animais-atletas e animais de trabalho (como cães-guia ou em atividades policiais), mas também para compreender melhor o comportamento de animais de estimação.

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