Muitos seres vivos desapareceram naturalmente do nosso planeta ao longo da história evolutiva. Mas hoje se observa a aceleração da extinção de espécies, provocada pela atividade humana e seus impactos sobre o meio ambiente
Muitos seres vivos desapareceram naturalmente do nosso planeta ao longo da história evolutiva. Mas hoje se observa a aceleração da extinção de espécies, provocada pela atividade humana e seus impactos sobre o meio ambiente
CRÉDITO: IMAGEM ADOBESTOCK

Atualmente estima-se que haja cerca de um trilhão de espécies no planeta Terra, incluindo os muitos bilhões de procariotos (bactérias e arqueias), que, além de serem parasitas, habitam águas, solos, atmosfera, fendas subterrâneas etc. No entanto, considerando apenas eucariotos (espécies com células nucleadas), grupo que reúne protozoários, fungos, plantas e animais, a estimativa é de pouco mais de 8 milhões de espécies. Parece muito, mas esse número representa uma minoria, já que 99% das espécies que existiram em nosso planeta foram extintas durante os 4 bilhões de anos de vida na Terra.
Extinções ocorrem naturalmente ao longo da evolução biológica em um ritmo geralmente lento e constante. Mas nosso planeta vivenciou, pelo menos, cinco episódios de extinção em grande escala, observados no registro fóssil como um súbito desaparecimento de inúmeras espécies em apenas alguns milhões de anos. Esses cinco eventos são chamados de megaextinções, e o último deles, no final do Cretáceo (65 milhões de anos atrás), levou ao desaparecimento da maior parte dos dinossauros (à exceção das aves, seus descendentes), após a queda de um grande meteoro na península de Yucatán, no sul do México.
As quatro megaextinções anteriores também foram catástrofes planetárias decorrentes de impactos de corpos celestes, vulcanismo e outras causas. Atualmente, vivemos um período marcado pela aceleração da extinção de espécies, com taxa estimada entre 1.000 e 10.000 vezes o ritmo normal. Esse período, reconhecido por muitos cientistas como Antropoceno, se caracteriza por uma mudança planetária (em termos biológicos e geológicos) causada por uma única espécie: o Homo sapiens.
O ritmo de extinção natural que existia até cerca de 300 anos atrás estava vinculado a eventos naturais, dissociados da influência principal de nossa espécie em nível global. Algumas extinções ocorreram naturalmente por processos de dispersão de outras espécies, tal como foi proporcionado pela conexão entre as Américas do Sul e do Norte, com a formação do Istmo do Panamá, há 3 milhões de anos. Esse evento, chamado de Grande Intercâmbio Biótico Americano, permitiu a troca de espécies entre o Sul e o Norte – por exemplo, os felídeos (onças, pumas, jaguatiricas etc.) e canídeos (lobos, raposas etc.), que dispersaram para a América do Sul. Esses mamíferos do Norte levaram à extinção inúmeras espécies de marsupiais (gambás, cuícas etc.) e xenartros (preguiças, tatus e tamanduás) que evoluíram isoladamente na América do Sul entre 100 milhões e 3 milhões de anos atrás.
Mais recentemente, as populações humanas caçadoras-coletoras e ancestrais dos atuais indígenas chegaram às Américas, e isso também pode ter levado algumas espécies à extinção, embora muitas delas também estivessem desaparecendo devido às mudanças climáticas do final do Pleistoceno e início do Holoceno (entre 20 mil e 10 mil anos atrás). O mesmo aconteceu com a chegada do ser humano à Austrália e às ilhas do Pacífico, incluindo a Nova Zelândia. No entanto, essas extinções causadas pelo ser humano ou por outros vertebrados do passado são parte daquele mundo em que as espécies conviviam em uma natureza relativamente harmônica (veja a coluna da CH 424).
Essa harmonia foi rompida com o Antropoceno, um efeito da superpopulação humana, aliada aos processos exploratórios de uma espécie que necessita construir seu nicho (ambiente próprio para sobrevivência que envolve urbanização, agricultura etc.). Isso resulta em destruição dos hábitats de outras espécies, caça, desmatamento, poluição, mineração e outros efeitos adversos da antropização, como as mudanças climáticas atuais. As espécies estão desaparecendo em ritmo acelerado por nossa causa; então somos nós que temos que reverter esse processo sem gerar ainda mais impactos.
As preocupações sobre o impacto humano no meio ambiente começaram a partir da década de 1960 e se materializaram na ciência com a disciplina da biologia da conservação, que inclui inúmeras pesquisas e práticas baseadas em evidências ecológicas, genéticas etc. Essas questões e a busca por soluções foram apresentadas de forma brilhante ao público leigo no livro A sexta extinção: uma história não natural.
A ciência da conservação da biodiversidade aponta vários caminhos, entre os quais o mais importante é a preservação dos hábitats naturais das espécies silvestres em diferentes ecossistemas da Terra. Muitos desses hábitats estão nas reservas ambientais e nas terras indígenas e de outros povos tradicionais, mas podem ser ampliados com restaurações ambientais e o uso de sistemas agrícolas adaptados aos ecossistemas locais.
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