As obras do médico francês que revolucionou a biologia molecular propõem questões significativas sobre a natureza humana e a evolução
As obras do médico francês que revolucionou a biologia molecular propõem questões significativas sobre a natureza humana e a evolução
CRÉDITO: WIKIMEDIA COMMONS

CRÉDITO: WIKIMEDIA COMMONS
O médico francês François Jacob (1920-2013) compartilhou, em 1965, o prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia com os biólogos franceses Jacques Monod (1910-1976) e André Lwoff (1902-1994), todos pesquisadores do Instituto Pasteur, em Paris. A distinção lhes foi conferida pelo trabalho inovador sobre o funcionamento e o controle da síntese de enzimas e vírus.
O prêmio reconhecia a importância da proposta da existência necessária de um ácido ribonucleico mensageiro (mRNA), molécula intermediária que copia a informação do DNA e a transporta para as células, de modo a iniciar a produção de proteínas. A láurea também destacava a descoberta do operon, um aparato genético que atua como um ‘interruptor’ de atividade, ‘ligando’ ou ‘desligando’ a produção de enzimas.
O Nobel surpreendeu os agraciados. Ao se tornar famoso de repente, Jacob percebeu a oportunidade de alavancar o interesse geral em biologia molecular. Novos estudantes começaram a ser atraídos, e mais subsídios surgiram para permitir pesquisas na área. Ele sentia que a atenção que a descoberta do DNA, por James Watson (1928-2025) e Francis Crick (1916-2004), tinha despertado em 1953 estava estagnada, e agora poderia ser ampliada.
Jacob nasceu em Nancy e foi filho único de um casal judeu, com pai religioso e família materna secular. Iniciou os estudos em medicina imaginando uma carreira de cirurgião. A Segunda Guerra Mundial interrompeu sua vida acadêmica e, após a invasão alemã, partiu para a Inglaterra para se unir ao batalhão da resistência francesa, sob o comando do militar – e mais tarde estadista – Charles de Gaulle (1890-1970).
Como participante do famoso desembarque na Normandia, em 1944, sofreu ferimentos graves no braço que mudaram seus planos. Após a guerra, graduou-se como médico em 1947, mas, não podendo ser cirurgião, optou por algo diferente. Estudou biologia e, em 1954, concluiu o doutorado, passando a se dedicar à pesquisa laboratorial.
Sua curiosidade intelectual levou-o a procurar o renomado Jacques Monod, que, de início, não demonstrou interesse em tê-lo em seu laboratório. Jacob, porém, não desistiu de seu propósito e, após visitas insistentes, foi aceito como assistente. A interação dessas duas mentes brilhantes revolucionou a genética.
Jacob fez importantes contribuições para a biologia molecular e também para o estudo filosófico da vida, da evolução e do papel da ciência na compreensão desses fenômenos. Embora suas obras não sejam estritamente filosóficas, elas propõem questões significativas sobre a natureza humana e a evolução.
Seus livros científicos – A lógica da vida: uma história da hereditariedade, O rato, a mosca e o homem, O jogo dos possíveis e a autobiografia A estátua interior – são técnicos, mas acessíveis. Eles ajudam o leitor a compreender o fenômeno do desenvolvimento das espécies, que se adaptam aos ambientes por meio de mutações e variações genéticas sem um plano inicial fixo.
Segundo Jacob, a vida se desenvolveu criativamente como uma colcha de retalhos, e não como um processo apenas mecânico. Seu artigo clássico ‘Evolução e remendos’, publicado na revista Science em 1977, argumenta que a evolução não acontece a partir de um projeto, não produz novidade do zero. Ela atua modificando o que já existe para resolver problemas que surgem.
Para acessar este ou outros conteúdos exclusivos por favor faça Login ou Assine a Ciência Hoje.
O que um resultado que parecia ser uma 'descoberta fantástica' em um laboratório de física no Brasil e um experimento com resultado negativo feito nos Estados Unidos cerca de 100 anos antes podem nos ensinar sobre os cuidados necessários ao fazer pesquisa científica?
O que aquela refeição que acaba queimada numa panela e o envelhecimento têm a ver? Ao longo da vida, nosso organismo também sofre uma ‘fervura’ silenciosa que pode causar várias doenças. Boa notícia: a ciência já é capaz de entender e diminuir essa ‘chama’.
Com uma injeção de nanopartículas lipídicas, obtidas a partir da técnica CRISPR-Cas9, já é possível tratar a hipercolesterolemia familiar – alteração genética transmitida por pai ou mãe que dificulta a eliminação do ‘mau colesterol’, cujo acúmulo no organismo causa doenças cardiovasculares.
Tratamento inovador, baseado no sistema de edição do genoma CRISPR-Cas9, demonstrou ser seguro para uso em pacientes e pode ser aprovado nos EUA até dezembro. O chamado Exa-cel será o primeiro medicamento a tratar uma doença genética com essa técnica
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |