Uma decisão tomada nas primeiras horas de vida determina o resto de sua trajetória na Terra. Estamos falando das esponjas, animais que não se movimentam (sésseis) e filtram a água para realizarem suas funções biológicas. Pertencentes ao filo Porifera, as esponjas são seres aquáticos – a grande maioria marinha – e vivem filtrando a água.
Elas têm feito isso, sem grandes modificações, por mais de 700 milhões de anos no planeta. Seu corpo é bem simples: possuem um intrincado sistema de câmaras e canais por onde a água passa – o chamado sistema aquífero. O fluxo da água é gerado pelo batimento dos flagelos dos coanócitos, um dos seus principais tipos celulares.
Em conjunto, essas células formam uma estrutura conhecida como câmara coanocitária – existindo milhares delas dentro do corpo de um indivíduo. Algumas esponjas podem bombear todos os dias uma quantidade equivalente a centenas de vezes seu próprio volume. Estimativas indicam que um recife de cerca de 100 m², com abundância moderada de esponjas, filtraria o equivalente a mais de uma piscina olímpica por dia.
As esponjas não se parecem em nada com um animal típico. Elas não têm músculos, nem sistema nervoso. Todo o seu funcionamento é feito em nível celular. Porém, é importante frisar que há um grau elevado de integração entre as diferentes partes da esponja, fazendo com que sejam mais do que simples agregados celulares.
Uma de suas principais características é que elas são sésseis – seu poder de locomoção é nulo. Exceto por algumas espécies que conseguem se deslocar a velocidades lentíssimas (poucos milímetros por dia), a maior parte das esponjas adultas fica parada no mesmo lugar durante toda a sua vida, que pode ser muito longa.
Alguns indivíduos no Caribe têm idade estimada em mais de 2 mil anos! Trata-se de animais que vivem associados ao fundo dos oceanos ou de corpos de água doce, preferencialmente em substratos consolidados – aqueles duros, como pedras e paredões rochosos. Esse é o tipo de ambiente em que muitos organismos marinhos gostam de viver e há, portanto, uma intensa competição por espaço.
Para garantir o espaço necessário para se fixarem e crescerem, as esponjas desenvolveram um arsenal químico usado na sua proteção. Isso é essencial, uma vez que elas vivem presas ao substrato, não podendo fugir ou se esconder de predadores e competidores.
O mais interessante é que as espécies têm preferências diferentes no que diz respeito ao ambiente onde querem passar a vida. Algumas esponjas gostam de ambientes ensolarados; outras de locais embaixo de pedras, protegidas da luz e de predadores. Umas são encontradas semienterradas na areia; e outras acabam por escavar o esqueleto dos corais para viver dentro deles.