
A pandemia de covid-19 está nos mostrando, de forma didática, o alto preço pago pela falta de integração de nossas plataformas de desenvolvimento social (a universidade), econômico (a indústria) e estratégico (o governo), ainda focadas no passado. Sem inovação nem ganho contínuo em produtividade, o Brasil continua dependendo, de forma muito preocupante e crescente, da importação dos componentes tecnológicos críticos, como os insumos farmacêuticos ativos para produção de vacinas e de medicamentos.
Já para aqueles que nunca deixaram de se preparar para o futuro e se mantiveram sempre integrados como sociedade organizada e empreendedora, a pandemia criou uma oportunidade ímpar em nível planetário, visto agora pela primeira vez na história. Devido à sua grande, integrada e sofisticada estrutura científica e produtiva, os fabricantes das vacinas fundamentadas em RNA mensageiro estão dominando o mercado global, incentivados por uma política industrial com um nível de encomendas tecnológicas (contratação de instituição pública ou privada pelo governo para obtenção de inovação) nunca antes visto, tanto em volume de recursos quanto em ambição de domínio do mercado.
Na outra ponta, a sociedade responde clamando pela vacina de melhor resposta imunológica, contribuindo, assim, para formar um círculo virtuoso para os detentores de tecnologia que estabelecem o novo paradigma. As demais vacinas, fundamentadas em tecnologias mais antigas e menos eficientes, veem oportunidades de negócios apenas em países mais pobres ou dependentes das organizações internacionais, que buscam a melhor relação custo-benefício, normalmente um parâmetro imediatista, sem futuro.
Ficamos então com a impressão de que não aprendemos ainda com nossos erros nem com o sucesso das empresas que lideram o setor. Pelo contrário, estamos continuamente voltando à monotonia do passado, em que a busca por resultados rápidos e sem riscos levou a políticas industriais focadas na substituição de importações, em detrimento da inovação tecnológica (leia a coluna da CH 380). Sem um pensamento renovador, o foco no passado cria a previsibilidade de um futuro que sempre acaba parecendo com o passado. Vamos virando atores de um erro em estado perpétuo de reparação. Sem aprender com nossos erros, estamos deixando de capitalizar recursos humanos e financeiros, tempo, necessidades não satisfeitas e fracassos.
Diante do nosso drama, que, historicamente, vai acumulando razões para o ceticismo, surge uma oportunidade escancarada pela pandemia de covid-19: a de rever e redefinir as funções e atitudes dos diferentes atores da sociedade que contribuem para a criação e apropriação do conhecimento, com destaque para as universidades e as indústrias.
Talvez sem intenção nem pensamento estratégico de longo prazo, o investimento governamental brasileiro ajudou a criar competências essenciais que estão sendo integradas pioneiramente e em velocidade para tentar contribuir no enfrentamento da pandemia. Assim, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial e com forte contrapartida privada, estamos integrando três instituições de grande tradição em ciência e inovação – o CIEnP, o CDTS/Fiocruz e a empresa Microbiológica – com o ambicioso objetivo de descobrir, desenvolver e fabricar novas moléculas de ação direta contra o SARS-CoV-2, uma necessidade médica ainda não atendida. Já depositamos nosso primeiro documento de patente, submetemos um dossiê pré-clínico à Agência Nacional de Vigilância Sanitária para iniciar ensaios em seres humanos e continuamos a desenvolver nosso projeto, com a participação ativa de novos doutores. Acreditamos que esse esforço integrado poderá constituir, eventualmente, uma plataforma tecnológica para desenvolver novos medicamentos contra outras infeções virais ainda sem alternativas terapêuticas.
Em pouco tempo, aprendemos a integrar nossas competências essenciais, mantendo o foco em nosso objetivo. A urgência nos estimulou a acelerar a frequência de nossos experimentos, e aprendemos a trabalhar com velocidade, entendendo que o tempo é talvez um de nossos capitais mais importantes. Nosso entendimento sobre as exigências regulatórias nos disciplinou coletivamente a trabalhar para que elas fossem rigorosamente atendidas em nossos procedimentos.
Na universidade, aprendemos que ensinar é transmitir a emoção de aprender. Na prática da inovação, estamos aprendendo a sentir a emoção de poder entregar à sociedade uma solução para um problema inesperado e urgente.
Estamos esperançosos de que a nossa experiência interdisciplinar ajude a iluminar territórios essenciais de serem percorridos para a modernização permanente da sociedade em busca de maior justiça, bem-estar social e autoestima.

Jaime A. Rabi
Microbiológica, Química e Farmacêutica Ltda.

João B. Calixto
Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos (CIEnP)

Thiago Moreno L. Souza
Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde,
Fundação Oswaldo Cruz

Jaime A. Rabi
Microbiológica, Química e Farmacêutica Ltda.

João B. Calixto
Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos (CIEnP)

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