Santo Agostinho acusa filósofo romano de adorador de demônios, ignorando que sua produção literária é obra de imaginação
Santo Agostinho acusa filósofo romano de adorador de demônios, ignorando que sua produção literária é obra de imaginação
CRÉDITO: ADOBE STOCK
Santo Agostinho, no clássico Cidade de Deus, se refere aos demônios como anjos caídos, seres que romperam com o bem e vivem de atormentar e escravizar homens e mulheres. Para ele, deuses pagãos são também demônios, enquanto que, para muitos filósofos e poetas, esses seres seriam os mediadores entre deuses e homens.
Na intenção de proclamar sua fé e propagar sua ideologia contra o paganismo, Santo Agostinho critica Apuleio, filósofo e poeta romano, nascido no ano de 125 antes da Era Comum, em Madaura. As principais publicações de Apuleio são Metamorfoses, O asno de ouro e Eros e Psiquê, obras em que narra a interferência de deuses e demônios no cotidiano da época. Agostinho acusa Apuleio de adorador dos demônios, e parece ignorar que a produção do filósofo é da alçada da ficção.
Munido de uma curiosidade insaciável, Apuleio estudou filosofia, na Grécia, direito e eloquência, em Roma, e era grande conhecedor de geometria, astronomia, poesia e música. Há rumores de que também entendia e praticava as artes mágicas. No livro O asno de ouro, por exemplo, ele conta como foi transformado em burro por uma mulher que dominava a magia. Durante a maior parte da história, ele, como narrador na pele de um jumento, descreve suas aventuras por diversas cidades romanas.

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