Prêmios Nobel e biologia evolutiva

Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, Instituto de Ciências Biológicas
Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares
Universidade Federal de Minas Gerais

Onde está a evolução dentro das pesquisas laureadas nos últimos anos?

CRÉDITO: IMAGEM ADOBESTOCK

Em 2022, Svante Pääbo ganhou o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina por seu trabalho em biologia evolutiva com DNA antigo. Foi uma premiação que reconheceu o pioneirismo e a perseverança do doutor Pääbo (e de seu grupo) numa área de pesquisa que tem permitido investigar genomas antigos e, particularmente, a evolução humana.

Na época, o prêmio foi visto como uma consagração desse campo do conhecimento que levou a inúmeros avanços na biologia, não apenas em relação à nossa espécie. No entanto, algumas críticas focaram na aparente falta de aplicação prática em fisiologia ou medicina, que se mostraram infundadas justamente porque os próprios estudos do grupo de pesquisa do doutor Pääbo utilizaram esses dados na compreensão da fisiologia humana e de questões médicas atuais, como tolerância ou sensibilidade a algumas doenças. Infelizmente, parte da comunidade científica ainda não reconhece ou compreende a importância fundamental da biologia evolutiva na medicina e todas as demais áreas das ciências biológicas (ver CH 422).

Considerando apenas os últimos prêmios Nobel em Fisiologia e Medicina, observamos que todos iniciaram com pesquisas básicas na área da biologia evolutiva. Vejam o prêmio anunciado na primeira semana de outubro de 2026 para Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel. Eles foram reconhecidos pelo trabalho pioneiro sobre a optogenética, um método que possibilita, por exemplo, entender o funcionamento de células nervosas no cérebro vivo. Tudo começou em 2005, quando os doutores Hegemann e Nagel descobriram a proteína canal-rodopsina em uma espécie de alga unicelular, a Chlamydomonas reinhardtii. Essa proteína da membrana celular é uma adaptação de resposta à luz que cria um impulso elétrico na alga (ver CH 424). O doutor Deisseroth transformou essa proteína em um interruptor controlado por luz para estudar neurônios de vertebrados. Posteriormente, essa proteína foi modificada por engenharia genética e hoje é utilizada em diferentes pesquisas fisiológicas e médicas, incluindo terapia gênica. No entanto, tudo começou com a descrição daquela proteína fixada pela seleção natural, que possibilita a detecção da luminosidade pela alga que nada em direção à luz e faz uma fotossíntese “ótima”.

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