Benzeduras, simpatias, patuás, garrafadas, sangrias e outros artifícios de cura e prevenção fortemente presentes na cultura brasileira
Benzeduras, simpatias, patuás, garrafadas, sangrias e outros artifícios de cura e prevenção fortemente presentes na cultura brasileira
CRÉDITO: LAURA FLEURY. IMAGEM GERADA POR IA (OPENAI/CHATGPT), 2026.
O título desta coluna é o mesmo do livro do escritor e folclorista Alceu Maynard Araújo (1913-1974), que, em 1959, foi condecorado com o prêmio Brasilianas, instituído pela Editora Nacional. Resultado de uma pesquisa feita pelo autor no Vale do São Francisco, o livro teve como jurados os ilustres Américo Jacobina Lacombe, Florestan Fernandes, João Fernando de Almeida Prado, Paulo Duarte e Sérgio Buarque de Holanda.
Alceu Maynard faz questão de deixar claro que seu trabalho é livre de preconceitos, pois não entende a medicina popular como uma prática de gente sem cultura, mas sim como resultado dos mais diversos contextos histórico-culturais, sociais e econômicos. Ele acrescenta ser o vocábulo rústico, utilizado, em seu livro, para conceituar a produção do meio rural. E complementa: “a medicina rústica é o resultado de uma série de aculturações da medicina popular de Portugal, indígena e negra. Necessário se faz um conhecimento das influências que ela padeceu: os antecedentes pré-ibéricos, lusos, ameríndios e africanos”.
O autor divide a medicina rústica nas seguintes categorias: mágica, religiosa e empírica, segundo as quais a causa do mal que aflige os povos está sempre associada ao sobrenatural. Ele afirma que a medicina rústica é o “conjunto de técnicas, de fórmulas, de remédios, de práticas, de gestos que o morador da região estudada lança mão para o restabelecimento de sua saúde ou prevenção de doenças”.
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