A recente morte do geneticista J. Craig Venter nos remonta aos seus revolucionários trabalhos nas áreas da genética, microbiologia marinha e biologia sintética.
A recente morte do geneticista J. Craig Venter nos remonta aos seus revolucionários trabalhos nas áreas da genética, microbiologia marinha e biologia sintética.
CRÉDITO: WIKIMEDIA COMMONS
Entre 12 e 15 de maio de 1992, organizei em Caxambu (MG) a 1ª Conferência Sul-Norte do Genoma Humano. Na época, era presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular, além de presidente do Programa Latino-americano do Genoma Humano. Publiquei logo depois, no mesmo ano, uma resenha descrevendo esse encontro na revista Gene 120: 327.
Um relato mais impactante foi publicado no mesmo ano na revista Genomics pelo saudoso geneticista estadunidense Victor McKusick (1921-2008), conhecido pelo livro Online Mendelian Inheritance in Man (OMIM) – base de dados que cataloga todas as doenças humanas com componentes genéticos, relacionando-as, quando possível, com seus respectivos genes. Atualizada até hoje, a OMIM é a bíblia da genética humana.
Entre os brilhantes convidados estrangeiros que vieram a Caxambu, estava o geneticista estadunidense J. Craig Venter (1946-2026), que morreu em abril, aos 79 anos, e a quem dedico esta coluna.
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Rompe-se o silêncio com um som. Dissipa-se a escuridão com a luz. Esse choque de conceitos antagônicos tem sido explorado pela arte por séculos. Mas a ciência tem também muito a dizer sobre esses fenômenos. E as conclusões, surpreendentes, têm sua ‘poesia’
Arquivos de Rosalind Franklin, cristalógrafa inglesa que contribuiu para desvendar a estrutura do DNA, trazem dados surpreendentes. Elucidar a verdadeira história das etapas que levaram a essa descoberta é fundamental para mostrar que o avanço científico vem de colaborações benéficas.
Vastas áreas do nosso genoma – que alguns chamam de ‘desconhecidoma’ – são constituídas de genes cuja função ainda é ignorada e que podem conter chaves para entender desordens do desenvolvimento, aparecimento de tumores, neurodegeneração e outros problemas de saúde.
Com uma injeção de nanopartículas lipídicas, obtidas a partir da técnica CRISPR-Cas9, já é possível tratar a hipercolesterolemia familiar – alteração genética transmitida por pai ou mãe que dificulta a eliminação do ‘mau colesterol’, cujo acúmulo no organismo causa doenças cardiovasculares.
O uso de mecanismos genômicos no tratamento das doenças de Alzheimer ou Parkinson pode produzir perspectivas terapêuticas importantes. Estudos recentes mostram que uma versão de um determinado gene pode conferir proteção contra essas enfermidades.
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Registros biológicos evolutivos permitem comprovar que todos os seres vivos da Terra derivam de um único ser vivo primordial, um ancestral comum universal que teria surgido há cerca de 4 bilhões de anos, resultando na diversificação e seleção de espécies.
O sequenciamento do chamado ‘exoma’ – parte do nosso DNA que tem relevância clínica por estar associado a mutações que provocam enfermidades – pode ajudar a descobrir as causas de grande número de distúrbios genéticos raros. A ferramenta já está disponível no Brasil.
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