A automedicação animal ocorre quando um indivíduo usa substâncias naturais – que não fazem parte de sua dieta normal – para prevenir ou tratar doenças. Isso inclui plantas com compostos medicinais, argilas capazes de neutralizar toxinas, insetos ou outros artrópodes e resinas com propriedades repelentes, bem como frutos fermentados ou fungos com efeitos analgésicos ou antiparasitários.
É importante destacar que automedicação não significa que os animais ‘sabem’ o que estão fazendo no sentido humano da palavra. Eles não estudam química nem farmacologia. Mas, ao longo da evolução, comportamentos que traziam benefícios à saúde foram sendo selecionados e transmitidos entre gerações, muitas vezes até aprendidos socialmente dentro de grupos.
A automedicação traz vantagens claras: reduz parasitas internos e externos; diminui infecções; melhora a digestão; aumenta a fertilidade; e protege filhotes e grupos sociais. Esses benefícios superam os custos, como o risco de intoxicação ou o gasto de energia para buscar substâncias específicas. Por isso, comportamentos de automedicação foram mantidos ao longo da evolução.
Os pesquisadores classificam a automedicação em quatro categorias principais: deglutição sem mastigação; ingestão com mastigação; aplicação tópica e medicação social.
No primeiro caso, alguns animais engolem folhas inteiras, sem mastigar, para ‘varrer’ parasitas do intestino. As folhas são ásperas e passam pelo sistema digestivo como uma espécie de escova natural. Um exemplo famoso é o que foi documentado entre os chimpanzés na África. Esses primatas engolem folhas de Vernonia amygdalina, que ajudam a expulsar vermes intestinais.
Na segunda categoria, o animal mastiga e ingere plantas específicas porque elas contêm substâncias químicas com efeito medicinal, como taninos, alcaloides ou óleos essenciais.
Já, na aplicação tópica, o indivíduo esfrega no corpo substâncias com propriedades repelentes, antifúngicas ou antibacterianas. Isso inclui frutas cítricas, resinas, folhas aromáticas e até insetos e outros artrópodes. Esse comportamento é comum em aves e primatas (figura 1).