Mestres da adaptação: o sucesso dos roedores

Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Quando pensamos em roedores, logo vêm à nossa cabeça ratazanas de esgoto, camundongos que encontramos em casa, ou, talvez, as tão populares capivaras. Mas esse grupo vai muito além desses exemplos: os roedores são os mamíferos mais diversos do Brasil, em consequência de sua longa história evolutiva e de suas estratégias de adaptação. Apesar da resiliência e do papel ecológico fundamental, muitas espécies estão ameaçadas pela destruição de seus hábitats.

CRÉDITO: ADOBE STOCK

Se perguntássemos a alguém que não estuda roedores quais espécies desse grupo conhece no Brasil, provavelmente ouviríamos nomes familiares à população urbana: as ratazanas e os ratos de esgoto (Rattus rattus e Rattus norvegicus), os camundongos domésticos (Mus musculus) e, talvez, os hamsters (Mesocricetus auratus) e porquinhos-da-índia (Cavia porcellus), conhecidos como animais de estimação ou por viverem próximos aos seres humanos. Também não faltariam menções às adoráveis capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), os maiores roedores do planeta, que, nos últimos anos, conquistaram as redes sociais no mundo todo.

Todos esses exemplos estariam, de fato, corretos, pois, apesar de suas diferenças, esses animais compartilham uma característica fundamental da ordem dos roedores (Rodentia): a presença de dois pares de dentes incisivos (um par superior e outro inferior) de crescimento contínuo, separados por um espaço (diastema) dos dentes molares. Mas esse grupo de mamíferos vai muito além dos exemplos citados: é o mais bem-sucedido em termos de número de espécies e ocorre em todos os continentes, com exceção da Antártida.

No Brasil, a ordem dos roedores é a mais diversa entre os mamíferos, com 270 espécies silvestres já catalogadas, o que representa 34% de todos os mamíferos conhecidos no país (figura 1). Desse total, 136 são endêmicas: não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo fora de nosso país.

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