A resiliência dos manguezais sob investigação

Estagiária de jornalismo, Instituto Ciência Hoje

Oceanógrafa e pesquisadora da UFBA, Carine Santana busca compreender como os ecossistemas costeiros do litoral baiano reagem à contaminação por petróleo

CRÉDITO: FOTO: ACERVO PESSOAL

Em agosto de 2019, manchas de óleo surgiram na costa dos estados de Sergipe, Paraíba e Pernambuco. No final de outubro, a contaminação já havia atingido todo o litoral nordestino. Sete anos depois, aquele que é considerado o maior derramamento de petróleo do Brasil ainda deixa consequências, principalmente nos ambientes marinhos costeiros. Esse desastre ambiental motivou Carine Santana, pesquisadora e pós-doutoranda do Laboratório de Oceanografia Biológica (LOB) do Programa de Pós-Graduação em Geoquímica: petróleo e meio ambiente, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a iniciar um estudo inovador de monitoramento dos manguezais da costa baiana. A cientista lidera um projeto que investiga a relação entre diferentes tipos de solo desse ecossistema e a capacidade deles de reter e degradar o petróleo.

Os manguezais, explica Carine, são ambientes de extrema importância e, muitas vezes, mal compreendidos, vistos por muitos como um local “sujo”. Na transição entre o meio continental e o mar, eles defendem a costa: “Se houver, uma ressaca forte, ou uma elevação do nível do mar, a costa que está atrás do manguezal estará mais protegida”. Além disso, explica, eles são grandes berçários de espécies marinhas e locais onde as comunidades ribeirinhas praticam pesca de subsistência. Uma de suas principais características é talvez a menos conhecida: “O manguezal funciona como um filtro biogeoquímico. A matéria orgânica acumulada no sedimento, associada às raízes das plantas, folhas e outros detritos, tem a capacidade de reter parte dos poluentes, impedindo ou reduzindo que eles avancem, por exemplo, para um recife de coral”, ela diz.

Diferentes reações

“O manguezal funciona como um filtro biogeoquímico. A matéria orgânica acumulada no sedimento, associada às raízes das plantas, folhas e outros detritos, tem a capacidade de reter parte dos poluentes, impedindo ou reduzindo que eles avancem, por exemplo, para um recife de coral”

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