‘Picada’ pela curiosidade científica, Jacqueline Sachett desenvolveu terapia pioneira para reduzir danos cutâneos e inflamações em vítimas de acidentes ofídicos, que pode ser utilizado em populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas
‘Picada’ pela curiosidade científica, Jacqueline Sachett desenvolveu terapia pioneira para reduzir danos cutâneos e inflamações em vítimas de acidentes ofídicos, que pode ser utilizado em populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas
CRÉDITO: FOTO: DIVULGAÇÃO SELMY YASSUDA

O Brasil registra mais de 30 mil acidentes com serpentes por ano, segundo o Ministério da Saúde – a maioria deles, por espécies de jararacas (gênero Bothrops) espalhadas pelo país. O Instituto Butantan produz soros antivenenos, que são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles bloqueiam o veneno circulante no sangue, e o atendimento rápido é essencial para a sobrevivência das vítimas. Mas os acidentes ofídicos podem vir acompanhados de outras complicações, como infecções e necrose na região da picada. É aí que entra um estudo pioneiro da equipe da qual faz parte Jacqueline Sachett, professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical, em Manaus. O foco é na recuperação de sequelas em pacientes, em grande parte, populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
“O antiveneno é essencial e eficaz, mas ele atua no veneno que está ativo, não resolve o dano já causado ao tecido e à musculatura no local da picada. Consciente disso, nosso grupo começou a buscar estratégias possíveis para reparar esses danos, diminuir sequelas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, explica a pesquisadora.
Assim nasceu um projeto de pesquisa clínica baseado no uso da fotobiomodulação, uma terapia feita com laser, como apoio ao tratamento com antiveneno. O uso do laser ajuda a regenerar os tecidos, reduz efeitos inflamatórios e acelera a recuperação das sequelas físicas da picada. Nos pacientes tratados, a laserterapia revelou-se especialmente eficaz em minimizar os danos cutâneos e a diminuir a necrose associada a picadas de serpentes, especialmente de jararacas.
Os resultados mostraram que a creatinofosfoquinase (CPK), um indicador de dano muscular, foi menor no grupo tratado com laser. Além disso, a intensidade da dor, a circunferência afetada e a extensão do edema foram menores no grupo de intervenção em comparação com o grupo controle da pesquisa.
“O laser já era usado em outros casos de ferimentos, em mucosas, gengiva etc. Havia também testes feitos com camundongos em laboratório como ação complementar ao antiveneno, mas não em humanos para casos de picadas de cobras. Montamos então um protocolo de pesquisa e submetemos às regulações éticas. Para nossa surpresa, vimos que o laser conseguiu reduzir em 50% o dano local do veneno. Os pacientes com uso do laser associado ao antiveneno podem ir para casa mais cedo, com menos sequelas, maior regeneração do músculo e da pele”, conta Jacqueline.
O próximo passo da pesquisa, diz ela, é avaliar o quanto o laser consegue reduzir a formação de infecções, melhorando ainda mais o dano provocado no local da picada.
“Alguns pacientes às vezes têm que fazer cirurgia de drenagem, perdem musculatura, amputam braço, perna. Tentamos usar as ferramentas disponíveis para diminuir essas necessidades”, conta ela.
O antiveneno é essencial e eficaz, mas ele atua no veneno que está ativo, não resolve o dano já causado ao tecido e à musculatura no local da picada.
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