Quais áreas são consideradas pontos críticos (hotspots) para a conservação da biodiversidade global?

Departamento de Ecologia
Universidade de São Paulo

CRÉDITO: FOTO ADOBE STOCK

As espécies e as linhagens não se distribuem de modo homogêneo ou aleatório no planeta. Existem regiões mais ricas, outras mais pobres em determinadas linhagens. Temos ainda que algumas espécies ou linhagens têm distribuição ampla, por vezes até cosmopolita. Outras estão restritas a regiões pequenas e a ambientes específicos e raros. Assim, quando falamos de conservação da biodiversidade, temos que agregar, além da riqueza, outro fator central para o entendimento da diversidade da vida no planeta: a singularidade espacial, ou, em termos biogeográficos, o conceito de endemismo. Não basta selecionar as áreas com mais espécies, mas levar em conta também o quão singular, em termos espaciais (biogeográficos) é uma dada região. Uma espécie ou linhagem endêmica a uma dada área só ocorre naquela área, e em nenhuma outra região do planeta. Em geral, são linhagens com associações evolutivas, históricas com aquela dada região, ou seja, que evoluíram naquela e em suas condições naturais específicas de clima, topografia, tipos de ambiente. 

Assim, um estudo clássico da Conservação Internacional, em 2000, definiu 25 regiões globais prioritárias para a conservação da biodiversidade, denominadas hotspots de biodiversidade, por abrigarem alta riqueza de espécies endêmicas e estarem amplamente impactadas pela perda de hábitat (menos de 30% de áreas íntegras). 

Portanto, os hotspots são regiões ricas em biotas muito singulares, endêmicas, e que estão severamente impactadas por desmatamento e fragmentação de hábitat. Se nada for feito nessas áreas, um conjunto grande de espécies estará sob alto risco de extinção em um curto espaço de tempo. No Brasil, Mata Atlântica e Cerrado foram elencados na lista dos hotspots globais de biodiversidade. E, de modo nada surpreendente, segundo dados oficiais sobre risco de extinção, são as duas regiões que abrigam maior número de espécies ameaçadas de extinção na fauna brasileira. É preciso agir de modo rápido para conter a perda de hábitat, reduzir a fragmentação e os riscos a essas biotas únicas, e cada vez melhor conhecidas pela ciência, que, nas últimas duas décadas, descreveu centenas de novas espécies de vertebrados nessas duas regiões prioritárias globais.

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